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“LIBERTAS QUAE SERA TAMEN RESPEXIT INERTEM

~ Virgilio

Scroll down for text version in English.

Nesta parte da série de trabalhos sobre as minhas origens no estado de Minas Gerais eu sugiro uma reinterpretação do lema do Estado e um redesenhar da bandeira mineira.

A ênfase de nossa bandeira se concentra na palavra “liberdade” clamada durante a Inconfidência Mineira, mas quando a frase baseada no texto em latim do poeta Romano Virgílio é apresentada em sua forma integral o foco é transferido para a palavra “inércia”.

”TAMEN RESPEXIT INERTEM” pode ser traduzida como: “NO ENTANTO OLHOU PARA MIM INERTE”. Ao usar este título represento uma cultura e história baseadas na impunidade e irresponsabilidade de instituições governamentais e privadas com o meio-ambiente. Reconhecemos com esta frase que a natureza nos observa inertes perante sua destruição.

Ao redesenhar nossa bandeira com um triângulo negro faço um protesto contra a irresponsabilidade do Estado na dispersão de nossos recursos naturais. Torna-se um sinal de alerta. O triângulo significa um sinal de perigo. É um convite para ficarmos atentos perante a possível morte de nossos rios e extinção de nossas montanhas.

O protesto não ocorre apenas com a inversão da cor mas também com a transmutação da forma geométrica que apresento de forma invertida. Nesta posição o triângulo representa não só o universo feminino como referimos à mãe natureza, mas também, o símbolo alquímico do elemento água. Ao unir a geometria ao título “TAMEN RESPEXIT INERTEM” - dou voz a incapacidade em se preservar rios e montanhas. Ao usar a frase: “NO ENTANTO OLHOU PARA MIM INERTE” damos voz a natureza dizendo ao Estado - não faz o suficiente para proteger-me. Este triângulo simboliza um desejo de mudança e transformação da nossa historia.

Através de uma série de intervenções vou explorar esta forma geométrica. Usarei como inspiração este novo “triângulo mineiro”. Cada vez que um triângulo for desenhado, traçado, cortado ou tricotado eu gradativamente embuo na geometria um novo hino-mantra: “TAMEN RESPEXIT INERTEM”.

Ao refazer, recriar, retraçar o ícone mineiro eu espero que a simplicidade deste gesto geométrico carregue hermeticamente a conscientização de nossa inércia coletiva existente até então - “NO ENTANTO OLHOU PARA MIM INERTE”. De agora em diante desejamos reverter nosso histórico de impunidades e irresponsabilidades recorrentes em relação à natureza. Neste momento da nossa história não mais ficaremos inertes. A destruição de nosso habitat não mais nos permite inércia.

#INERTEM

English version.

In this part of my work based on my roots in Minas Gerais, Brazil I am suggesting a reinterpretation of my homestate’s motto and a redrawing of its flag.

“LIBERTAS QUAE SERA TAMEN” is the label of Minas Gerais State which is based on a text by the Roman poet Virgil. When translated it means: "Liberty, even if delayed." Here the emphasis of our flag concentrates on the word “liberty” claimed during revolts against the Colony known as “Inconfidencia Mineira”.

But when the text in Latim is presented in its entirety “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN RESPEXIT INERTEM” the focus of the phrase shifts to the closing word which means “inertia”.

I therefore suggest rewriting the motto of Minas Gerais using the later part of the text. “TAMEN RESPEXIT INERTEM” can be translated as “REGARDED ME IN MY IDLENESS”. By using this title I represent a culture and history based on impunity and disregard of nature by institutions - both governmental and private. It becomes a recognition that Nature observes us in our inertia, as we do nothing to protect it from the exploitations of mining embedded in the culture of the State of Minas Gerais.

With this work I not only rewrite this State’s motto but also redesign its flag. Using a black triangle instead of the original one in red, I protest against the irresponsibility of the State in the dispersion of our natural resources. It becomes a sign of mourning. A sign of warning. The triangle signals danger. It is an invitation to be attentive to the imminent peril of rivers and the extinction of mountains from the State of Minas Gerais.

I suggest not only the reversal of color but a transmutation of the geometric form which is presented in reverse. On this position the triangle represents not only the Feminine Universe which Nature belongs to, but also the ancient alchemical symbol of water. By uniting geometry to the title “TAMEN RESPEXIT INERTEM” - I make evident the incapacity of State and private institution to preserve our rivers and mountains. “REGARDED ME IN MY IDLENESS” becomes the voice of Nature looking upon structures of power: “You are doing nothing to protect me".

Through a series of interventions I will explore this geometric form. I will use this new 
“triângulo mineiro” as inspiration. Each time a triangle is drawn, traced, cut or knitted I will gradually envelop this geometry in a new hime-mantra: “TAMEN RESPEXIT INERTEM”. As if a prayer in Latim.

This is an invitation to deconstruction, retracing and recreation of an icon of Minas Gerais, and our way of living. There and everywhere.

I hope the simplicity of this gesture carries hermetically the recognition of a collective inertia existent only until now - “REGARDED ME IN MY IDLENESS”. I hope this triangle symbolizes a desire for change and transmutation of a history based on exploitation of natural resources and our habitat. That from now on, there is a reversal of our past based on recurrent impunities against Nature. In this moment of our history we no longer stay idle. The destruction of our habitat no longer allow us to do so.